TRILHA SONORA

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

SOBRE UMA CERTA HELENA


Certa vez me disseram que as palavras tem o poder de curar e de ferir. Bem verdade! 
Hoje eu lembro com saudade do tempo em que elas feriam bem menos e vou mais além... De quado elas eram bálsamos de mirra e incenso. E de como não vinham embebidas na triste ilusão de que o Amor romântico vive apenas dentro de mim. Como a última das "amantes" desta terra. Como a última andorinha que tenta fazer verão, sozinha.
Nesse tempo acreditava-se que nada jamais abalaria sentimentos. Nem pessoas, nem circunstâncias e nem mesmo a própria morte. Eu não sei aonde o barco se perdeu... E talvez nem tenham culpados nisso. Nos amamos tanto que não havia Capitão administrando o leme. Pra onde o vento soprasse as velas, era pra lá que os marujos seguiam. Até que um dia Medusa invejou a pureza do Amor dos Deuses e quis vingar-se da descendente de Paris. E feriu-na uma, duas, três e tantas vezes que Lebus cansou-se de estancar a sangria. Parecia conveniente a Lebus viver ao lado de Medusa, porque ela não aparentava feridas e tinha oito braços. Mas, a descendente de Paris conseguiu que as feridas cicatrizassem e voltou a ser bela de novo e assim, Lebus voltou a sua companhia, mas se ia todas as vezes que o sangue não era estancado.
O tempo encarregou-se que criasse uma especie de proteção sobre os ferimentos e às vezes mesmo que doesse, o sangue se continha. E a história de Amor seguia, como todas as histórias de Amor devem ser... Com fadas madrinhas e duendes e monstros.
Mas no Reino de Lebus os Sapos eram gigantes e queriam ser "Reis". Diante o encantamento da feiticeira, só poderiam se tornarem gente se tirasse a coroa de Lebus e de sua Princesa. Então o fizeram. Primeiro lançaram veneno, depois rasgaram-lhes as vestes, cravaram pregos nas feridas e jogaram-lhes num poço de vinagre e sal.
Descobrindo depois que o Reino encantado de Lebus tinha poderes mágicos e só obedecia ao próprio Rei Lebus; os Sapos acordaram com Lebus que deixariam-no viver livremente se lhes permitissem manipular as plantas e os seres e toda a espécie de vida que dali brotasse. Parecia "justo" à Lebus, porque tudo que gostaria era viver em Paz com a descendente de Paris... Mas, por trás dos Sapos estava ainda Medusa, inconformada com a Felicidade inesgotável dos dois. E ordenou que a Princesa escolhesse entre a vida de Lebus ou a morte de ambos; porque agora, já conhecia os Segredos do Reino e não necessitava  de nenhum.
Assim... A descendente de Paris abriu mão da sua vida para que Lebus pudesse ter sua liberdade garantida. E foi exilada numa ilha distante, fria, escura e solitária... Onde Lebus ou nenhum outro ser pudesse encontrá-la. E Lebus jamais entenderá o porquê da Princesa ter partido sem dizer adeus... Ele afogou-se no poço sombrio das perguntas sem respostas e acha que foi traído.
Mas quem trairia o antidoto da sua própria chaga?
Quem abandonaria o Senhor dos seus sonhos?
Só alguém seria capaz de sangrar até a morte para que pudesse dar vida a outrem... A descendente de Paris, eu digo. E por que eu sei? Porque eu estava lá!
Então, voltemos as palavras... Sim, elas existem até no silêncio. Que os Deuses nos deem sabedoria para interpretá-las.

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