TRILHA SONORA

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

REVELAÇÕES


Houve um tempo em que eu viajava a cada fim de romance e isso parecia até divertido.
Conheci quase o Brasil todo e nunca fui mais longe por dois motivos... Medo de passar muitas horas sobre o Oceano e falta de dinheiro. Mas, eu sempre achava que viajar me faria esquecer os problemas e as pessoas... E fez, inúmeras vezes.
Talvez, porque não tenham sido tão importantes assim.
Então o tempo passou e eu amei. Sim, eu amei muito. Porque somente paixão não bastava pra suportar toda aquela distância e toda aquela gente que havia entre nós. Amei com meu coração, com meu corpo e com a minha alma. Me despi das vergonhas, das frustrações, do medo e pus-me ao dispor daquela Felicidade exalada pelos poros. E a gente foi Feliz! Meu Deus, como fomos felizes!!!
Eu finalmente me senti no conto de fadas que toda sonhadora espera. E tudo parecia magia, encantamento e paraíso; até que chegassem as primeiras brigas e com elas o desprezo, as angustias e as mágoas. Embora todo "bom" relacionamento tenha de ter essa pitada de vinagre, chegou um tempo em que a nossa era muito mais vinagre do que pimenta. E tudo foi se distanciando. Primeiro foram os corpos... Depois os corações... E quando o respeito começou a desmoronar; eu achei que era hora de partir.
Mas, romper o casulo também dói.
Lembro de quando eu sai de casa pra morar sozinha. Essa cena quase nunca sai da minha mente... Porque foi doloroso deixar todo aquele sonho cor de rosa pra assumir uma responsabilidade que eu nem sabia se era capaz; assim, quando resolvi tomar a decisão de mais uma vez seguir sozinha; também não foi fácil. Doeu muito. Ainda dói!
Foram três anos que valeram por uma vida inteira. E a gente chega numa etapa que começa a levantar hipóteses de onde teria errado?! De em que parte do caminho teria deixado as pedras serem mais fortes que as águas que lhes furam?! Mas não há resposta. Pelo menos não tão previsível quanto o meu arrependimento depois do décimo dia.
E eu me sinto como aquele operário que trabalho durante todo o inverno e esperou as férias para ficar em Paz; mas quando elas chegaram, acordou tarde, viajou, foi a lugares que teve vontade, comeu o que lhe deu na telha e fez o que sonhou fazer enquanto estava preso ao trabalho, mas ainda assim, algo lhe faltava. Então a primeira semana foi maravilhoso se estar de férias, na segunda semana você começa a sentir falta até dos "gritos" do patrão... e da terceira semana em diante, você já nem sabe viver mais com toda aquela mordomia; você precisa voltar a trabalhar ou simplesmente morrerá de depressão. É engraçado, é frustrante... Mas é a verdade.
Quando você gosta realmente nenhuma viagem, nenhum lugar novo, nenhuma roupa, comida ou alguém te fará esquecer aquela pessoa. Parece que tudo volta a remeter aquele primeiro encontro, o primeiro beijo... Tudo lembra o cheiro, o carinho e a falta que até o mau humor te faz.
O tempo começa a sufocar e viver se torna desesperador; você sabe que não terá quem reclame da sua insônia, ou quem te oferecerá o braço pra assistir a novela. Voltar pra casa não tem graça nenhuma quando não tem alguém pra te abrir o portão ou te ajudar com as sacolas.
Então, você se dá conta de que todas as outras vezes que terminaram ainda havia aquela esperança escondida da possível volta; mas que agora você nem pensa nisso, porque a falta que a pessoa te faz é maior que qualquer pensamento, que qualquer atitude ou gesto.
Porque não existe nada pior que você deixar uma pessoa quando o Amor ainda existe. E está ali, escondido, adormecido, mutilado... Mas que é sufocado pelos problemas do trabalho, pelas crises da família, pela crise financeira e até mesmo pelo medo; já que em outras relações sofreu tanto por amor, existe ainda a dúvida da fidelidade, da cumplicidade e do próprio amor.
Aí, os dias passam... E as horas parecem demorar bem mais do que quando vocês passavam juntos. A espera pela postagem das redes sociais é uma tortura britânica. E você espera um sinal, mas ele não vem. Um "oi" e ele não chega. Você enche a caixa postal da outra pessoa de mensagens de carinho e perdão e ainda assim não tem resposta. E o silêncio começa a gritar. E já grita tão alto que você já se pergunta o porquê daquilo tudo se os dois se amam e se querem.
Começa então a batalha entre a razão e o coração; mas no fim das contas, eu só lembro de Fernando Pessoa dizendo: "O Amor quando se revela, não se sabe revelar". É poético, é triste e é realista. 
 


3 comentários:

  1. Tudo vale a pena quando a alma não é pequena, nem egoísta.

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  2. talvez esse cara não te merece.

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