TRILHA SONORA

terça-feira, 5 de agosto de 2014

SOBRE DECEPÇÃO


Decepção é quando você descobre que sentimentos não superaram uma geladeira semi-vazia, uma pilha de louças ou a roupa suja de uma semana... Decepção é quando você percebe que nenhuma das outras demostrações de carinho, respeito e consideração foram levadas em consideração diante o cansaço de um dia inteiro de trabalho...
Decepção é você olhar o outro dormir enquanto você chora sem entender o porquê da grosseria, do abandono, da frieza e da não explicação de tal comportamento. Decepção é saber que aquele anjo de outrora quebrou a asa na primeira pedrada. É você querer ajudar e no entanto não ter o reconhecimento por isso.
Decepção é saber que meia idade ainda não fizeram certas pessoas amadurecerem - elas continuam crianças no corpo de adultos. Órfãos no final das contas, que apenas precisam de pais e não de companheiras. Porque não existe responsabilidade, não há ordem, nem tão pouco censo de diferenciação quanto a "companhia" e "serventia".
Decepção é ver que depois do sexto casamento, existem seres que ainda tratam os companheiros como objetos descartáveis... e permanecem com eles até quando lhes servirem de bandeja... 
Decepção é acordar num dia qualquer e saber que todos os outros (que juravam-se especiais) não serviram de absolutamente nada para o "medidor de compatibilidade".
Decepção meu caro, não é descobrir depois do casamento que a sua namorada não sabia cozinhar, ou que ela não gosta de lavar a louça ou que detesta ser dona de casa... Isso não é decepção! Isso se chama convivência. Só se conhece e passa a se amar (ou odiar) uma pessoa diante dela. E isso não é o fim do mundo!
Pessoas (pobres) inclusive, (con)vivem anos e anos juntos mesmo sem saber quebrar os ovos para fazer uma omelete... E vivem... Porque acima de todas as dificuldades está o amor que um sente pelo outro - e eles tem o prazer de aprender juntos... de errar juntos... de comer queimado, cru ou de até mesmo nem comer. Mas, ficam felizes pelo avanço e pela pequena conquista do outro.
Bom mesmo é não ter sentimento de frustração. É saber que embora não merecidamente reconhecido, ainda existiu alguém na relação que fez a sua parte... E que foi FELIZ com ela, porque se doou... deu o melhor de si e mesmo sem ter cometido acertos memoráveis, cresceu com isso.
Terminar um relacionamento não é decepcionante, pois sentimentos mudam a todo instante. Decepcionante é saber que tudo o que você acreditou era apenas uma casca... É ter a certeza de que mesmo depois de todas as teorias de humildade, o DINHEIRO sempre fala mais alto.
Decepcionante é acabar um casamento dizendo: vamos ser amigos?! e no entanto não cumprimenta-lo depois que atravessa a rua.
Decepcionar-se é ver que todo o amor jurado entre lençóis se tornou revolta e troca de ofensas, inclusive através de terceiros. É saber que o olho no olho pra dizer "eu te amo" não existe mais pra dizer "você errou quando..."
Se bem que falar de erros quando se termina uma relação não é legal. O tempo não volta... Mas, talvez fosse mais sensato manter a teoria de que a amizade vem acima de tudo e de que ela foi a base do relacionamento, agora, partido Mas sobreviveu aos terremotos porque realmente ela estava acima do Amor destruído ou existido apenas de uma das partes. Pelo menos falar o que se sente seria digno de se nomenclaturar como amizade e não seria tão torturante por um ponto final numa relação desgastada se as pessoas passassem a se comportar como adultas quando elas realmente se separam...