TRILHA SONORA

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

SOBRE O NOVO AMOR


Eu passei muito tempo imaginando um Amor de conto de fadas... E depois dos quinze anos, vi que príncipes de cavalos brancos só existem nos livros.

Passei alguns anos sonhando com alguém que mudaria minha rotina, que cuidaria tanto de mim ao ponto de eu não suportar tanto carinho e fugir. 

Então, o tempo me fez enxergar que essa pessoa só ficaria nas minhas utopias dos vinte e poucos anos.

Desisti de Amar, aos vinte e três, porque pra mim o Amor sempre veio acompanhado de sofrimento e da dor das despedidas antecipadas.

Pensei que meu futuro tinha sido abortado aos vinte e quatro.

Tinha a certeza de que nunca encontraria alguém que me fizesse feliz – porque na verdade eu nunca procurei um sentimento reciproco, eu estava preocupada demais em encontrar alguém que suprisse minhas vontades, meus desejos, meus sonhos, meu Eu. E no fim das contas, esse alguém nunca existiu, porque eu queria um clone de mim mesma.

Um dia, eu acordei... E já tinha quase vinte e cinco. Me olhei no espelho e notei o quanto de vida eu tinha desperdiçado, esperando essa pessoa que nunca chegava. 

Quanto de maquiagem eu tinha gasto tentando mascarar uma realidade nua, crua e que eu não queria enxergar, de fato.

Nesse mesmo dia, eu tirei a máscara e me despi em direção aquele corredor escuro e tão imprevisível chamado de vida – eu me vi linda, como nunca tinha visto antes. E num gesto acarinhado, apenas entendi, que na verdade aquele ser que eu buscava nos outros, eu teria de encontrar primeiro em mim.
Comecei assim, uma luta contra e em busca do meu próprio Eu. 

Aprendi que antes de qualquer outra pessoa eu teria de amar-me. E assim o fiz. Só depois de algum tempo, em Lua de Mel comigo mesma, fui capaz de descobrir que existiam pessoas tão interessantes quando aquele ser perfeito que passei vinte e cinco anos procurando.

E ai, o verdadeiro Amor surgiu... E apareceu sem medo, sem pressa e sem troca.

E era o meu Eu pelo avesso. E não era perfeito, mas me fazia bem!

Então, aquela frase “batida” dizendo “Eu te Amo”, realmente ganhou sentido; o olhar teve direção noutro olhar, as mãos se enlaçaram noutras mãos e os corpos realmente se encaixam como na música de #Roberto... e tudo parece estar de acordo com a teoria do dicionário Aurélio, já que, desta vez, não há razões para fingimento.

E onde está aquele medo?

Morreu asfixiado por um Amor que dispensa teorias e planos.