TRILHA SONORA

domingo, 17 de junho de 2012

E EU AINDA NÃO SEI TUDO


Tem homem que sabe como arrancar o coração da mulher do lugar. E um em especial tem arrancado meu juízo. Recados anônimos no telefone, ligações só pra ouvir a voz, presentes, flores... E se eu estava "encucada" pra saber como descobriram meu telefone, imagine o endereço?

Tem gente suspeitando que é o porteiro, outros dizem ser aquela paixão antiga da oitava série; colegas de trabalho... Até mulheres já entraram na lista, mas ofato é que quem eu mais desejei que fosse... Não era. Ou pelo menos esconde que é... Por quê?! Não sei.

E pior que ser amada por um anônimo e supostamente desconhecido é ter a confirmação de que ele não é quem você gostaria que fosse. E as razões pra isso são tão óbvias que nem precisam ser citadas aqui.

Então, depois de quase pirar da batatinha tentando descobrir quem está causando tamanha desordem na sua vida e no seu resto de coração, você resolve viajar pra esfriar a cabeça, o coração e o resto.

Como se isso fosse o bastante para esquecer o tanto de problema que você já tem... Além do tal admirador secreto que nomenclatura-se por Oswaldo.

Nada para onde está, afinal, raiva, desmantelo e decepção só presta grande!

Você resolve dar onda de boa samaritana e ao invés de voltar pra sua casa, resolve parar na casa dos Pais, primeiro.

Poderia voltar sossegada, tranquila e com menos dor de cabeça, mas não... Seu velho coração de manteiga se derrete de saudade e resolve se render à ela...

Resumindo... Está tudo "fudido" quando finalmente se descobre que aquela "menininha" que sua mãe fazia trança e seu pai carregava no colo até os dez anos, cresceu e agora é uma mulher que deseja enfrentar o mundo com suas próprias armas; que quer ser feliz a qualquer custo, inclusive com o cara que sua mãe mais detestou nos últimos tempos.

Aquele mesmo que te troca por várias no sábado à noite - o mesmo que engravidou outra... Aquele bonitão com pose de Galã da novela das oito, mas que pra você é um cara comum com defeitos e qualidades comuns e que até o presente momento você não sabe por que o ama, mas ama.

Sua mãe, sua tia e mais umas vinte pessoas do seu circulo de amizade dizem que ele não presta... Talvez até ele mesmo já saiba disso, mas você torce relutante pela mudança e por uma enxergada mesmo que de leve pra esse lado da Faixa de Gaza. Pra que ele te enxergue também e veja a grande mulher que você é por trás da amiga e da profissional que divide o palco vez por outra.

E sua Mãe, que é "fãzona" dele, detesta a ideia de que a filha mais nova o ame... Por fim, cita cada defeito como se fosse o fim dos tempos e resume dizendo: "eu bem que avisei!" Essa frase que as mães usam são perfeitas pra destruir qualquer expectativa de vida e de alegria que você tenha.

Precisei de um calmante e dois copos de água com açucar pra me recuperar do resto das coisas que ouvi hoje de manhã... Nada que eu não já tenha ouvido antes de trilhares de pessoas; mas é que vindo dos Pais, desce pior que uma dose de Whisky vagabundo sem gelo; tanto que o almoço engasgou e tudo que fiz foi arrumar uma desculpa boba e sem graça pra correr direto pra cá e chorar agarrada a minha velha almofada lilás.

Talvez os "baques" que eu tenha levado da vida é só por isso - porque eu insisto em ser ingenua e sensata demais. Insisto em ser a "menininha" que usava trança e óculos e que tinha coleção de bonecas de porcelana e visitava os Pais nas férias. E agora que a vida toma outro rumo; diferente daquele que eu sonhei quando tinha doze anos de idade é que eu enxergo o tanto de tempo que perdi com coisas que nunca valeram à pena.

E olho ao meu redor e vejo nada mais que quatro paredes frias, uma cama, meia luz, um cobertor, o velho travesseiro lilás - aquele que vela meu pranto e Inácia roncando do outro lado do quarto.

Oito rosas semi-murchas na sala e um guarda apitando na rua. Mostrando que hoje, já foi, agora já é amanhã... e que o futuro é assim, quando você menos espera ele chega e então... Se você não fez o que devia ser feito... Só te resta dormir.

Um casal de gatos namora no telhado da garagem - pelo menos estão sendo mais felizes que eu.

Não digo pelo ato; isso a gente faz com qualquer um no estado de Cio; falo da completude dos fatos. Aquela meia parada entre o gemido e a respiração... Quando olhares se cruzam e param. E pensamentos não pensam mais nada, apenas fazem, vivem... Falo disso - do tal orgasmo que dizem que existe mas que nunca senti, de fato.

E que ainda penso que existe... Bobagem! As pessoas tão mais preocupadas no gozo do que em qualquer outra coisa. Se esqueceram de como é bom amar, fazer amor... E tonar-se insano por ele.

Mas, assim como o futuro chega depois da meia noite, ela, a felicidade certamente virá, junto às descobertas e o mais importante: o Amor. E talvez eu viva até lá, porque eu ainda não sei tudo!

E espero que o príncipe não caía do cavalo quando ler isso aqui.

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