TRILHA SONORA

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

NÃO ADIANTA NEGAR


Você pode negar que já me amou
E que foi meu alento no inverno
Você pode dizer que este inferno
De ciume e de brigas que restou
Foi o nosso amor que sufocou
Alegando que o erro não foi seu
Você pode rejeitar o que me deu
E torcer pelo fim da relação
Posso até não ganhar seu coração
Mas, o resto do seu corpo já foi meu.

Helena Cardoso
Mote: Zé Adalberto

AMAR SEM SER AMADO I



Enfrentei catapora e dor de dente
Onça braba, ressaca e traição
Uma espada chagou-me o coração
Inda assim aguentei sendo valente
Mas, a dor da paixão sendo latente
Não tem coisa pior pra ser ferido
Não existe remédio a ser bebido
Nem alívio que melhore a dor do ser
A tristeza maior que pode haver
É amar e não ser correspondido.


Helena Cardoso

AMAR SEM SER AMADO II



Se eu pudesse rifar meu coração
Certamente, rifava a qualquer preço
Que sofrer desse jeito eu não mereço
Dei amor só ganhei ingratidão
Como é triste viver na solidão
Vendo o amor por você sendo traído
Até mesmo o coração de um bandido
Tem no íntimo compaixão por outro ser
A tristeza maior que pode haver
É amar e não ser correspondido.


Helena Cardoso

AVESSOS


No seu peito de pedra tem meu nome
Mas, você sorridente diz que não
Tenta assim, machucar meu coração
Que chagado, tatuou teu sobrenome
Me atiçando, depois também se some
E mantendo essa farsa que enganava
Você jura que de mim ainda gostava
Mas, por que me deixou você não diz
Foi de tanto querer quem não me quis
Que deixei ir embora quem me amava.

Helena Cardoso

SOBRE AMOR


Se você me chamar eu vou agora
Que é pra isso que lhe dei o meu perdão
Se você aceitar meu coração
Eu te faço feliz na mesma hora
Não se pisa um amor com a espora
Da doença mantida por ciúme
Plante amor, ponha adubo e estrume
Se desfaça da magoa que cultiva
O amor é a droga mais nociva
Que nos dorga sem ter gosto nem perfume.

Helena Cardoso

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

ALGUM DIA


Exibindo o seu título de Rainha
Você cospe no prato que comeu
Diz que amou, mas também se arrependeu
Me humilha, diz que a culpa foi só minha
Que hoje em dia, tá feliz sendo sozinha
Só esquece de dizer que por detrás
Dessa pose imponente até demais
O seu ego tá sofrendo em agonia
Eu chorei por você mas algum dia
Você vai lamentar não me ter mais.


Glosa: Helena Cardoso
Mote: Lucélia Santos

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

BLOQUEIOS


O chassi do meu corpo adulterei
Pra não ter nunca mais tua permuta
Alterei minha forma de conduta
Apagando os momentos que te amei
Coleciono os lençóis q'eu ensopei
Pra lembrar dos momentos desvalidos
Os desejos por você sendo traídos
Estampados num retrato espedaçado
Você é um contato bloqueado
Na agenda dos sonhos esquecidos.


Gosa: Helena Cardoso
Mote: Zé Adalberto

NÃO SE DESBEIJA

Esperneia pra chamar minha atenção
Faz "pantim" pra dizer que me esqueceu
Mas, amor quando acaba, já morreu...
Para que tanta justificação?
Se você não me quis dar seu perdão
Não me tache com o título de "lôca"
Não acuse que a vontade virou "pôca"
Se eu sei que no fim desse seu ato
Você pode ter rasgado o meu retrato
Mas, não pode desbejar a minha boca!


Helena Cardoso

SOBRE INDIRETAS


Hoje fala que eu sou uma ameaça
Quando um dia gritava me amar
Diz que o ódio ocupou o meu lugar
Mas, eu juro que relendo eu acho graça
Tá na cara que isso é só uma pirraça
De alguém magoada e infeliz
Ninguém leva a sério o que tu diz
Que esse caso da gente é uma piada
Não se exibe tanta coisa sendo "amada"
Nem tão pouco quando está sendo feliz!

Helena Cardoso

quinta-feira, 27 de julho de 2017

O PREÇO


Eu pelejo pra banir tua lembrança
Mas, o peito não quer obedecer
E no jogo de querer sem te querer
Em segredo vou mantendo a esperança
E jurando arquitetar a tal vingança
Eu disfarço a saudade em maestria
Grito alto, digo em tom de valentia
Que só quero o amor de quem mereço
Eu jurei te esquecer a qualquer preço
Mas paguei muito mais do que devia.

Glosa: Helena Cardoso
Mote: Lúcelia Santos

EU SEI


Com orgulho você diz que acabou
E essa trama só você protagoniza
Mas, à noite quando lembra, agoniza
Recordando tantas vezes que me amou
Só teu leito sabe o tanto que chorou
Renegando esse amor que era meu
Você sabe que entre nós nada morreu
Mas insiste em manter essa loucura
Toda noite a saudade te procura,
Pra dizer que você não me esqueceu.

Mote: Ademilsom Pereira
Glosa: Helena Cardoso

SOBRE A SEPARAÇÃO


Sete meses, três dias e uma hora
Foi o tempo que o tempo deu a gente
Quem diria que o amor que era pungente
Hoje, fere o peito como espora
A paixão, combustível de outrora
Pôs a gente no cais da solidão
Nos deixando a mercê da ilusão
E partiu com a saudade dividida
Quem diria que um amor sem ter medida
Não passou de uma mera confusão.

Helena Cardoso

QUANDO ALGUÉM SE APAIXONA



Não existe retrato mais fiel
Que um "bêbo" num bar se maldizendo
Explicando o porquê de tá sofrendo
Remoendo os momentos que hoje é fel
Se lastima com o destino tão cruel
Orgulhoso, diz que já não tem mais dona
Só que seu desespero preciona
O seu ego que também está ciente
(Que) uma mesa de bar ganha um cliente
Toda vez que um besta se apaixona.

Gosa: Helena Cardoso
Mote: Lenelson Piancó

quinta-feira, 20 de julho de 2017

VOCÊ SABE O QUE CANTA?



A letra da música Vidinha de Balada foi composta por Diego Silveira, Lari Ferreira, Nicolas Damasceno e Rafael Borges, que já tem outros trabalhos divulgados na voz da dupla Henrique e Juliano. A fama chegou para os irmãos do interior de Tocantins em 2013, quando lançaram o primeiro DVD e tiveram como sucesso “Recaídas” e “Gordinho Saliente”, no entanto o apogeu se deu com a letra que ganhou a mídia e a “loucura” das fãs – Vidinha de balada. 

Curioso pensar que foi necessário quatro pessoas para escrever: 

Oi, tudo bem?
Que bom te ver
A gente ficou, coração gostou
Não deu pra esquecer

Desculpa a visita
Eu só vim te falar
Tô a fim de você
E se não tiver, você vai ter que ficar

Eu vim acabar com essa sua vidinha de balada
E dar outro gosto pra essa sua boca de ressaca
Vai namorar comigo, sim!
Vai por mim, igual nós dois não tem
Se reclamar, cê vai casar também
Com comunhão de bens
Seu coração é meu e o meu é seu também

Vai namorar comigo, sim!

Daí, a imaginar que dezenas de centenas de mulheres brasileiras se familiarizam com um enredo em que a figura feminina é imposta à vontade masculina, nos faz pensar que, se a língua é o estabilizador mais poderoso das recordações (ASSMANN, 2011), a linguagem aparece não só como recurso da lembrança, já que, lembramos do que verbalizamos, mas tem caráter performativo através da auto atribuição.

O fato é, que muitas pessoas não analisam o que cantam ou o que escolhem como “hino”. 

Num primeiro ponto de vista, poderíamos imaginar um gesto apaixonado em: Desculpa a visita/Eu só vim te falar/Tô a fim de você... Mas, o ato de inferiorização e imposição se dão quando passamos a analisar a presença do “se”, conectivo condicional que tem a função de ligar ideias entre oração principal e subordinada, em (...) E se não tiver, você vai ter que fica (segundo verso) e (...)Se reclamar, cê vai casar também (no refrão), percebemos que a conjunção vai além do valor sintático, mas numa perspectiva de análise discursiva a mulher não tem vontade própria, ela está sendo imposta a “amar” ainda que não queira. 

E num contexto mais abrangente do refrão: Vai namorar comigo, sim!(...) Se reclamar, cê vai casar também/ Com comunhão de bens, percebemos, que além da fala herdada da cultura patriarcal, onde a mulher não opinava sobre seus desejos e sentimentos, mas se casava em detrimento à vontade do Pai ou da compra do dote pelo futuro marido; que posteriormente tornava-se o herdeiro da fortuna da família, além de ter uma vida sexual de “obrigações”, nos deparamos com o consentimento do discurso machista, pelas mulheres que não só cantam a música supracitada, como também se sentem homenageadas. 

É um sentimento ilusório, mantido pela ignorância e pela falta de análise linguística.

Em vista disso, inúmeras vezes a mulher é tida como objeto sexual, porque a mídia viraliza o estereótipo de vulgaridade e apologia ao estupro, como algo comum, a partir de uma máscara de sensualidade. Tanto que, alguns estilos musicais e até mesmo propagandas com fins lucrativos, só fazem alusão ao sexo, à festas e bebidas, com a figura feminina estando em situação de promiscuidade. Ninguém se sente atraído por um homem tentando vender cerveja, por exemplo, ou por uma religiosa vendendo sandálias... A ideia da venda de produtos com mulheres vestindo pouca roupa (ou nenhuma), com corpos esculturais (até pra vender shampoo), extremamente maquiadas etc, tornam clara a ideia de subjulgamento de que a mulher, não está só vendendo o produto, mas é o próprio produto.

Devemos, então, ter um olhar mais cuidadoso com a linguagem usada em certos tipos de gêneros textuais e que por falta de atenção, arrastamos para o nosso dia a dia. Nem tudo é o que parece!

Referências Bibliográficas:
ASSMANN, Aleida. Espaços da recordação - Formas e transformações da memória cultural. Campinas: UNICAMP, 2011.

Por Helena Cardoso

domingo, 16 de julho de 2017

A QUEM INTERESSAR, POSSA


Você foge pra não precisar falar
Que seu plano de amor já foi traçado
Que já tem tudo bem arquitetado
Que há tempos tem tentado me cercar
Você anda querendo conquistar
E acho até que o caminho já tá certo
E esse peito que um dia foi deserto
Ressequido pelo ódio e rancor
Outra vez já floresce para o amor
E deixou para ti, portão aberto.


Helena

quinta-feira, 13 de julho de 2017

AMOR INFINITO



"E vou te amar além... 
Da nota final da canção, 
do beijo de sal do verão, 
do amor infinito de um cão..." 

(Moacyr Franco)

SOBRE A LUA


Hoje à noite, a saudade maltratou
Recordando o amor e o desgosto
Vi no céu, o desenho do teu rosto
Sorridente, como as noites que me amou
Uma estrela brilhante, relembrou
O primeiro momento que te olhei
E a primeira vez em que toquei
Tua pele macia, branca e nua
Eu lembrei de você olhando a Lua
Tive tanta saudade que chorei!

Helena Cardoso

SE EU NASCER DE NOVO


Se um dia, eu nascesse novamente
Para Deus eu só tinha uma prece
É rogar pra que tu também regresse
E ao meu lado reencarne, certamente
Não que eu queira reviver eternamente
Nesse ciclo sem fim de vai e vem
Só queria devolver o mal com bem
E provar para toda humanidade
Que diante do caos, a caridade
É o que salva a conduta de alguém.

Helena Cardoso

SOBRE O AMOR DADO II


Se eu pudesse escrever o meu passado
Certamente, nosso caso passageiro
Dos meus feitos, eu faria o primeiro,
Dos romances para ser eternizado
Mas, só tem um detalhe a ser trocado
Que é pra ver se a paixão também durava
Se eu pudesse do meu peito te arancava
Pra dar chance a quem sabe cativar
Dei amor a quem nunca quis me amar
E esqueci de amar quem me amava


Mote: Petrônio Bernardo
Glosa: Helena Cardoso

SOBRE O AMOR DADO I


Todo mundo foi amado e não amou
Todo mundo já foi dono da razão
Jogue pedra quem não teve uma paixão
E sofreu quando tudo se acabou
Só quem teve a ilusão e já chorou
Sabe o tanto que gostar lhe machucava
Não é fácil esquecer quem se gostava
Mas, confesso, é preciso pra "andar"
Dei amor a quem nunca quis me amar
E esqueci de amar quem me amava.

Mote:Petrônio Brandão
Glosa: Helena Cardoso

segunda-feira, 3 de julho de 2017

NÃO SE MANDA NO CORAÇÃO


Eu não posso o peito controlar
E exigir que por ti se apaixone
Se eu pudesse de mim fazer um clone
Certamente, eu faria pra te amar
Se um dia, tu puder me perdoar
Me perdoe e procure ser feliz
Mas, não faça no peito cicatriz
Magoada porque amo outra dama
Ninguém manda nas vontades de quem ama
Nem condena o amor que não lhe quis.

Helena Cardoso

OS TEUS OLHOS


Você diz que de mim não quer notícia
Pra família disfarça a dor do pranto
Só que à noite, sozinha no seu canto
Soluçando deseja uma carícia
Com o peito banhado de malícia
Alimenta a saudade e a ilusão
Mas o orgulho não lhe deixa dar perdão
A quem tu se embriaga com o perfume
Os teu olhos são poços de ciume
Onde tu se afoga em solidão.


Helena Cardoso

DO QUE ADIANTA?


Não há coisa pior que roedeira
Nem existe remédio pra saudade
Não existe amor pela metade
Nem paixão como chuva, passageira
Não se cura uma dor açoitadeira
Com bebida, ciume ou casamento
Que é difícil disfarçar o sentimento
Quando os olhos da alma são janela
Do que adianta rasgar a foto dela
Se seu rosto tá inteiro em pensamento?!

Helena Cardoso

SOBRE VONTADES


Da vontade eu não posso me esquivar
De querer ir gritar no teu portão
De dizer-te que essa nossa confusão
Já passou foi da hora de acabar
Mas você quando pensa em retornar
Se envaidece com o título de Rainha
Diz ao mundo que prefere estar sozinha
E tem ataques de personalidade
E assim, adiando essa vontade
Tem mantido vazia a camarinha.

Helena Cardoso

SOBRE FALSIDADE


O diabo cita até as escrituras
Que pra Deus ele até já foi um anjo
Não te iludas com os tipos de arcanjo
Que te compram com os beijos de ternuras
Se à noite, pelas costas, às escuras
Te traindo vão também te difamando
Em tua frente fazem juras te amando
Mas te envolvem como najas sorrateiras
Desconfie desse amor sem ter fronteiras
Pois as cobras só nos matam abraçando.

Helena Cardoso

SOBRE O RISO


O teu riso amarelo e disfarçado
Só confirmam o amor que é latente
Seu discurso dizendo estar contente
Transparece sentimento já forçado
E esse timbre de voz meio embaçado
Denunciam quanto resta de saudade
Por orgulho, mas também por vaidade
Você guarda tudo isso e adoece
Mas, à noite para Deus faz uma prece
E me pede pra voltar, por caridade.

Helena Cardoso

CHEIRO DE TRAIÇÃO II



Adorá-lo foi meu erro, certamente
Mas, não quero outro erro cometer
Não adianta você vir me prometer
E jurar que essa vez é diferente
Acho até que fui muito paciente
Envolvida no odor da ilusão
Por você fiz martírio em solidão
Me afoguei numa poça de ciume
Tome um banho, se troque e se perfume
Que o seu corpo inda fede a traição.

Mote: Renato Santos
Glosa: Helena Cardoso

CHEIRO DE TRAIÇÃO I


Recomponha sua pose de madame
Que eu não quero ver ninguém se rebaixando
Limpe os olhos pr'eu não ter que ver chorando
Por amor, por orgulho ou por vexame
A mulher que por mais que ainda ame
Foi juiza fiel da ingratidão
Esse é o resultado da ilusão
Que o dinheiro suborna, por costume
Tome um banho, se troque e se perfume
Que o seu corpo inda fede a traição.

Mote: Renato Santos
Glosa: Helena Cardoso

TATUAGEM


Pra lembrar o amor que era da gente
Desenhei nossas letras na mangueira
Mas, o tempo e a saudade matadeira
Apagou quase que completamente
O meu plano de amar eternamente
Foi abrindo um espaço pro "jamais"
Eu chorei e sofri até demais
Mas, no fim conformei-me com a mazela
Tatuei no meu peito o nome dela
Depois quis apagar, não pude mais!

Mote: Renato Santos
Gosa: Helena Cardoso

CANSAÇO


Eu confesso que te amei em devaneio
Fiz de tudo para ver-te mais feliz
Só que existe um ditado que já diz:
Não se pode medir o amor alheio
Te esperei, mas você também não veio
Quis amor, mas você estava ausente
Me entreguei para ti completamente
De ilusões eu fui sempre coroado
Minha vida cansou do seu passado
E o futuro não quer ter você presente

Mote: Damião De Andrade
Glosa:Helena Cardoso

DEUS JULGARÁ


Esse seu argumento de defesa
Pra tentar acusar-me de traição
Só confirmam o tamanho da paixão
Que você desprezou sem ter certeza
Hoje vive mergulhada na tristeza
Porque sabe sua responsabilidade
Tá morrendo de amor e de saudade
Mas espalha por aí que tá feliz
Deus será, certamente, meu juiz
Em defesa da honra e da verdade.

Mote: Sales Rocha
Glosa: Helena Cardoso

CASA ABANDONADA


Sete latas aparando na biqueira
E o batente de pau do casarão
O alpendre das debulhas de feijão
O fogão, o café e a chaleira
Uma rede armada e a cristaleira
Com a louça que Mamãe fazia festa
Hoje, vejo por trás de uma fresta
Uma vida, no tempo desprezada
Toda casa que foi abandonada
Cabe ao tempo engolir o que lhe resta.

MOTE: Silvano Lyra
GLOSA: Helena Cardoso

SOBRE MUDANÇAS


Tentei dar amor a quem
Me deu paixão por esmola
Mas a vida que é escola
Só paga o mal com o bem
Hoje eu vejo esse alguém
Sofrendo também, e enfim
Não caio no seu "pantim"
Que se eu caísse ainda amava
Ao ver que nada mudava
Resolvi mudar por mim.

Mote: Lima Filho
Glosa: Helena Cardos

ENLOUQUEÇO DE AMOR


Sabedora do que eu gosto que tu faças
Me seduz e depois leva pra cama
Minha amante fiel e minha dama
Que me cerca de loucuras e ameaças
Sorridente, o cabelo, embaraças
E coloca minhas mãos em seu decote
Não há fonte de amor que se esgote
Quando o amor de nós dois entra no cio
Enlouqueço de amor e me arrepio
Com teus lábios tocando o meu cangote!

Mote:Damião Andrade
Glosa: Helena Cardoso

SOBRE A CIGANIA AQUIETADA



Na primeira carícia que o meu peito
Recebeu da paixão que tu me deu
O acerto de que ele virou teu
Parecia de encomenda, sido feito
Tu venceste eleição sem ter um pleito
E impôs de uma vez meu paradeiro
O meu peito cigano e desordeiro
Encontrou o aconchego de um lar
Teu sorriso cruzou com meu olhar
E deu cria do amor mais verdadeiro!

Helena Cardoso

AMOR ETERNO


Feiticeiro nenhum jamais dá jeito
Nem intriga no mundo que maltrate
Não existe ninguém que o nó desate
E te arranque de vez desse meu peito
É melhor aceitar, que por direito
O meu riso sem tu não tem valor
Já pedi a bênção do Criador
E ele disse que no céu, provavelmente
Viverei com você eternamente
E não há nada que impeça nosso amor.

Helena Cardoso

QUEM PERDE MÃE TEM RAZÃO DE CHORAR QUE PERDEU


Mamãe que me deu a vida
Me deu colo, deu alento
Mamãe que no sofrimento
Não chorou nem na partida
Que de noite na dormida
Deu o alimento seu
E por vezes nos cedeu
Seu lençol e seu colchão
Quem perde Mãe tem razão
De chorar o que perdeu

Era mãe que carregava
Lata d'água no espinhaço
E também com seu abraço
A tristeza desmanchava
Era mãe que consolava
As surras que pai me deu
E nem o carinho meu
Cobrava por obrigação
Quem perde Mãe tem razão
De chorar o que perdeu.

Tenho lembrança e saudade
E disso me alimento,
Esperando o momento
Que talvez, na eternidade
Mamãe com Felicidade
Console esse peito meu
E assim, no colo seu
Afague com sua mão
Quem perde Mãe tem razão
De chorar o que perdeu.

Helena Cardoso

SOBRE A VONTADE DOS OLHOS


Fecho os olhos e te vejo em minha mente
Não há coisa nenhuma que me agrade
E eu não sei controlar essa vontade
Que insiste em te ver constantemente
Imagino se teu peito também sente
Essas coisas que conjugam o verbo amar
Não que eu queira com amor lhe subornar
Mas, parece que venceste meu cansaço
O meu corpo só deseja teu abraço
E meus olhos tem pensado em se casar.

Helena Cardoso

SOBRE SEGREDO DAS COISAS



Importante pra poder sobreviver
É manter certas coisas em segredo
Não que isso seja o cúmulo do medo
É que a gente cansa, às vezes, de sofrer
E tem gente que só vive pra saber
Se você tá feliz ou tá chorando
Torce contra, mas também diz disfarçando
Que você é o dono da verdade
Não se iluda com toda essa falsidade
Que a cobra só nos mata abraçando.

Helena Cardoso

JULGAMENTO DE AMOR


Nosso caso de amor já foi julgado
E o juiz a sentença decretou
Mediante tudo o que já se passou
Deu a ordem pra cumprir, o delegado
Já mandou algemar o condenado
E na cela do tempo lhe deixar
Não existe habes corpus pra soltar
É melhor aceitar a decisão
O teu peito é acusado de traição
Só porque subornou o meu olhar.

Helena Cardoso

CASA DA SAUDADE


Quem olhava o amor que era da gente
Apostava que não ia ter um fim
Mas, você resolveu fugir de mim
Me iludiu e deixou covardemente
Sem nenhuma desculpa convincente
Meu castelo de amor, tu fez cair
Levou junto o motivo d'eu sorrir
E inda disse que me fez foi caridade
Esse peito virou casa da saudade
Quando tu resolveu dele sair.

Mote: Petrônio Bernardo
Glosa: Helena Cardoso

A MEDIDA DA SAUDADE


Você nega por aí que já me amou
Diz que tudo não passou de fantasia
Que o tempo lhe deixou pessoa fria
Impossível perdoar quem magoou
Limpa o choro pra dizer que já passou
Que não pode viver de inconstância
Esperneia e diz em tom de arrogância
Mas, à noite não aguenta e quer me ver
Que a medida melhor que pode haver
Pra medir a saudade é a distância!

Mote: Zé Adalberto
Glosa: Helena Cardoso

SOBRE SAUDADE


Não tem coisa pior do que saudade
Nem existe outro mal igual o dela
É quem tem do amor toda tutela
Pra roer e maltratar sem ter idade
Pode ser de paixão ou de amizade
Que ela chega e nos pega sorrateira
Nos derruba com a dor mais matadeira
Nos consome e nos deixa quase louco
Se eu pudesse te daria só um pouco
Da saudade que me toma por inteira.

Helena Cardoso

SOBRE CIÚME



É melhor o ciúme controlar
Que de briga eu estou correndo légua
Se quiser no amor dar uma trégua
Sente aqui, que é pra gente conversar
Mas, você não aguenta nem parar
Que reclama e exige toda hora
Só se lembra dos conflitos de agora
Renegando quanto a gente foi feliz
Se é verdade todo mal que eu te fiz
Feche a porta, dê adeus e vá embora.

Helena Cardoso

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A MALA DO CORAÇÃO


Tantas vezes eu quis me desfazer
Das angustias que eu coloquei no peito
Por orgulho, inveja ou por despeito
Tantas vezes vi o sonho padecer
Mas, se eu pudesse refazer
Todo sonho mergulhado em ilusão
Certamente revivia a paixão
E essa historia de amor continuava
Eu na mala da vida carregava
O que tinha pra dar no coração

HELENA'S



Foi de Paris, de Gonzaga e de Bandeira
Três amores que o destino entrelaçou
Três paixões que a vida culminou
Em fiéis pela sina derradeira
Em Atenas, Exu ou Mangabeira
Cada uma teve a vida resultada
Numa guerra, na família e na toada
Do amor, da sanfona e do repente
Vendo isso, quem sabe um dia a gente
Também deixa nossa história registrada?!

Fostes tu, oh meu Rei, tão humilhado
Sacrifício rendestes por nós dois
Destronado, também, morto depois
Pelo amor, fostes sempre vitimado
Se pudesse refazer nosso passado
Trocaria de lado a ampulheta
Morreria qual Romeu e Julieta
Demonstrando também fidelidade
Mas, quem sabe além da eternidade
Entre nós, outro alguém nunca se meta?!

Foi a guerra de Tróia afamada
Pela luta de amor, guerra e vingança
Sacrifício, paixão e esperança
De uma história por todos aclamada
Não existe paixão mais coroada
Nem torcida maior pelos amantes
Até penso na Poesia de Cevantes
Para então, descrever Formosa cena
Posso não ser de Paris, tal Helena
Mas, por ti faço guerra como antes.

Carruagem de ouro envelhecida
Com brilhantes da cor dos olhos teus
Era assim, a maçã dada por Zeus
Que tornou uma briga conhecida
Pelo pomo de ouro, envaidecida
Afrodite promoveu guerra em Atenas
Fez-se assim, maior luta das terrenas
Deu a Paris de presente o seu amor
Só que a guerra também findou em dor
Que é destino de todas as Helenas.

A VONTADE DIVINA


Se a tristeza o pensamento te invade
Não há nada que o riso não liberte
Não há mal que com Paz não se inverte
Nem tem sombra que se fuja à claridade
Com mentira não se vence a verdade
Nem malfeito que não seja descoberto
Pode até ser o mister mais esperto
Mas, ninguém vai fugir do seu destino
Não se muda a vontade do Divino
Nem apaga o que Deus escreve certo.

MÁSCARAS


O diabo cita até a escritura
Quando quer enganar a sua presa
Lhe agrada e lhe pega com destreza
Se consegue, a coisa muda de figura
Não existe uma alma sendo pura
Que odeia outro ser sendo vivente
Se fazendo melhor que toda a gente
Se Deus sabe cada um do seu valor
Não se mata em nome do amor
Nem tão pouco se condena um inocente.

ALICE



Alice, hoje, casou-se
Com o antigo namorado
Enterrou o nosso amor
Que há tempos tinha matado
Sepultando a esperança
Que um dia tinha me dado.

Alice, que por orgulho
Rasgou os nossos retratos
Que desfez as nossas juras
Por intrigas e boatos
Terminou dando de ombros
Não ouviu meus contra fatos.

Alice, que tanto amei
Que também fez suas juras
Alice, dos meus encantos
E também das desventuras
Alice, dos meus amores
Alice das aventuras.

Menina dos olhos verdes
Do cabelo cor de trigo
Alice, dos meus afagos
Alice do meu abrigo
Alice foi salvação
Alice, foi meu perigo.

Alice que eu conheci
Alice que eu desejei
Alice que o coração
Eu também lhe entreguei
Alice também morreu
Alice, te sufoquei!

Helena Cardoso